30.1.17

52 films by women

Esse ano eu vou tentar levar a sério essa meta que consistem em ver pelo menos um filme dirigido por uma mulher por semana e daria em média 52 filmes no ano.


JANEIRO:

Longas: 


Cultures of Resistance, Iara Lee, 2010: Iara Lee passou ano viajando pelo mundo procurando lutas sociais das mais diversas formas e formas de resistir à opressões nos mais diferentes lugares, trazendo tudo pra esse documentário de modo inspirador, real e pulsante.


Que bom te ver viva (online), Lúcia Murat, 1989: neste documentário, Lúcia Murat intercala relatos reais de mulheres sobreviventes às torturas na ditadura militar e trechos de depoimentos/cartas de outras sobreviventes interpretados pela atriz Irene Ravache.


Curtas: 

A arte de andar pelas ruas de Brasília, Rafaela Camelo, 2011: duas amigas passeiam pelas ruas descobrindo e compartilhando sentimentos e sensações. 



Witch's Cradle, Maya Deren, 1944: Um curta de Maya Deren é uma experiência pessoal intrigante que não há sinopse que abarque, já que seus filmes não demonstram uma narrativa clássica abrindo para o expectador as mais diversas interpretações.

16.1.17

Fichamento livro: Pina Bausch [Janeiro/2017/leitura 2]





No processo de Bausch, a repetição é usada para desarranjar as construções gestuais da técnica ou da própria sociedade. A repetição torna-se um instrumento criativo através do qual os dançarinos reconstroem, desestabilizam e transformam suas próprias histórias enquanto corpos estéticos e sociais. pg. 46

Para induzir a participação dos dançarinos, a coreógrafa apresenta-lhes uma questão, um tema uma palavra, um som, uma frase: "luto", "Ah..". Em resposta a tais estímulos, os dançarinos improvisam em qualquer meio desejado: movimento, palavras, sons, uma combinação de elementos.  pg 48

"Não é preciso contar o motivo, apenas como."



"Durante o tempo em que a peça está no palco, os primeiros dias, primeiras semanas... ela ainda continua mudando.". Não há necessariamente uma separação entre processo criativo e produto final - as peças estão em constante processo. pg. 52

Movimentos técnicos de dança são mais facilmente vistos como abstratos, enquanto reações e gestos cotidianos são aceitos como naturais, momentâneos, reflexos direto do estado emocional de seu executor. Mas Bausch traz ao palco exatamente o que nos parece mais espontâneo, e o revela como re-presentativo na vida e no teatro. pg 58




As peças de Bausch têm três ou quatro horas de duração, com inúmeras repetições. Sua dança-teatro não re-presenta uma forma concentrada ou simbólica do tempo cotidiano, mas acontece nesse tempo "real" e ainda o dilata, justamente com as percepções do público. Este tem tempo para absorver o material apresentado, para resistir. se deixar levar, ou mesmo para ficar cansado. De qualquer maneira, a longa duração dos trabalhos e suas repetições levam os espectadores a seus limites, provocando experiências.  pg 64



Em Kontakthof, os dançarinos abalam o modelo de perfeição física, e a ilusão de unidade grupal e completude. Assim que termina a música, param na frente do palco, mantendo seus olhares e expressões faciais neutros. Anne Marie Benati começa gradualmente a virar sua cabeça para um lado e para o outro adicionando uma repetitiva risada ao gesto, que parece um compulsivo "não" à ordenada sequência grupal.
Aos poucos, o movimentos de sua cabeça torna-se maior e mais energético, e a risada mais alta e forte. Em oposição ao grupo, Benati torna-se cada vez mais despenteada, barulhenta e solta em seu movimento. [...]. Ao atingir seu máximo volume de voz e velocidade de movimento, ela flexiona um pouco sua perna direita e cai com o corpo rígido e tenso no chão.  pg 69

A repetição nos trabalhos de Buasch rompe com convenções de "estados interiores de consciência" independentes e isolados e sugere os sentimentos individuais como determinados pela linguagem e relações de poder. pg 72



A repetição abre novas formas de perceber a vida humana no palco e no cotidiano. pg 75

O que eu faço - assisto, (...) Talvez seja isso. A única coisa que eu fiz todo o tempo foi assistir as pessoas. Eu tenho apenas visto relações humanas ou tentando vê-las e falar sobre elas. É nisso que eu estou interessada. Não conheço nada mais importante. (Pina Bausch - Raimund Hoghe)




Ensaios de Dança: em muitas cenas dos trabalhos de Bausch, repetição revela o processo de ensaio de dança. Frequentemente, um dançarino repete várias vezes uma específica sequência de movimentos, como se tentasse memorizá-la. 

Treinamento de Dança: Em Bandoneon (1980), o dançarino Dominique Mercy tenta repetidas vezes realizar um passo de balé e sem sucesso cai no chão várias vezes. (...) pela repetição a falha tornou-se parte da sequência tanto quanto a tentativa. É como se ele tivesse (...) contando uma estória sobre poder falhar tanto quanto poder acertar: ambas opções de dança. [...] ele repete porque errou, para tentar fazer melhor da próxima vez, mas erra mais e mais. A cena questiona e inverte a noção de que repetição é um bem sucedido método de aprendizagem. pg 81

[...] Em Kontakthof, Monika Sagon tenta, sem sucesso, fazer a sequência. Após fazê-la uma vez, seu movimento torna-se desajeitado, ela olha para trás para checar o que o outro dançarino está fazendo, e sai do ritmo. pg 84

[...] Pina Baush usa a repetição para expor sua natureza controladora e o reprimido corpo em sofrimento sob seu domínio. 


"O cenário (de Café Müller) reflete dança como ausência, e como a própria impossibilidade da dança.. Ao invés de apresentar um palco com dançarinos se movendo ou começando a se mover, a peça apresenta um palco cheio de ausência de corpos - mesas e cadeiras vazias, num espaço silencioso e pouco iluminado. É como se eventos já tivessem acontecido"


Café Muller


11.1.17

eu senti o cheiro disso
mais de uma vez
eu senti o gosto disso
mais de uma vez
você me colocando pra baixo de novo
com suas culpas
com minhas culpas
que novidade
eu já estive lá,
eu estive lá milhares de vezes

meus olhos te ferem
mas eu não sangro

pegamos o mesmo barco
remamos para lados opostos
eu decidi pular nadar parar em terra firme

tentei não ouvir todas as músicas que me lembram você
mas mastiguei até as que não me lembram você

fim de partida
esperando dias felizes
o tempo está se esgotando o tempo está se esgotando o tempo está se esgotando corre pega
vai
embora
o tempo está se esgotando o tempo está se esgotando eles estão chegando com as luzes de emergências acesas em seus dedos
suck it in


6.1.17

Projetos Literários 2017


12 Livros da Literatura Brasileira

Eu sou uma leitora com uma grande desfasagem de literatura nacional, então me organizei para mudar isso em 2017, a lista foi escolhida entre clássicos que todo mundo (ou quase) já leu, menos eu e alguns poucos da minha estante (pra diminuir a pilha de não lidos).

Tentei dividir entre 4 gêneros - Romance, Conto, Poesia e Peças.

(em laranja os que já tenho)


Uma, Duas - Eliane Brum   (Romance) 
Ciranda de pedra - Lygia Fagundes Telles (Romance)
Quarto de despejo - Carolina Maria de Jesus (Diários)  - para o Clube Leia Mulheres Fortaleza
O Rei da Vela - Oswald de Andrade (peça)
Invenção de Orfeu, de Jorge de Lima (poesia) 
Macunaíma - Mário de Andrade (Romance)
Grande Sertão: Veredas - Guimarães Rosa (Romance)
Contos D'Escárnio / Textos Grotescos - Hilda Hilst (contos)
Dona Flor e seus dois Maridos - Jorge Amado (Romance) 
O Quinze - Rachel de Queiroz
Adélia Prado  (poesia)
Cecília Meireles (poesia)


Diminuindo a pilha de não-lidos - aquela meta de todo ano


David Bowie - biografia (aniversário de 1 ano de morte)
Vida Querida - Alice Munro 
Afrodite - Alice Ruiz & Paulo Leminski
Jazz - Toni Morrison
Companhia e Outros Textos - Samuel Beckett
A Desumanização - VHM
Relatar a si mesmo - Judith Butler
Trabalhar Cansa - Cesare Pavesse 
Orlando - Virginia Woolf
Futuro Proibido - William Burroughs, Hakim Bey, J. G. Ballard, William Gibson
Pílulas Azuis - Frederik Peeters 
A Queda - Albert Camus
Anna Akhmátova - antologia poética 
Histórias de cronópios e de famas - Julio Cortázar
O Cheirinho do Amor - Reinaldo Moraes (contos)
Prosa - Elizabeth Bishop

Desafio Lendo Mais Mulheres 2017 


1. Livro de Crônicas: Aqui entre nós - Marina Colasanti
2. Ficção Científica: O Conto de Aia - Marget Atwood
3. Memórias ou Autobiografia: Só Garotos - Patti Smith
4. Teoria Feminista: Má Feminista - Roxane Gay / O Segundo Sexo - Simone de Beauvoir
5. Peça Teatral: Sete Crianças Judias – Caryl Churchill
6. Autora Nordestina: Desmundo - Ana Miranda
7. Livro Clássico: Orlando - Virginia Woolf
8. Autora de Literaturas Africanas: Ventos do Apocalipse - Paulina Chiziane
9. Jornalismo literário: Vozes de Tchernobil - Svetlana Aleksievitch
10. Literatura Erótica: A Fugitiva - Anis Nin
11. Terror/Suspense: Entrevista com Vampiro, Anne Rice.
12. Livro de Ensaios: Sobre Fotogradia - Susan Sontag



2.1.17

imagens que não pude fotografar

as pedras fincadas na areia espalhadas pela costa formando grutas em miniaturas de trinta centímetros
eu estava encolhendo encolhendo encolhendo e me via sendo banhada pelo mar que cobria as pedras fazendo uma pequena cachoeira e depois arrastava tudo de volta e vinha novamente enchendo tudo de novo formando outra cachoeira, diferente da anterior eu estava tão encolhida naquele primeiro de janeiro de 2017 eu me sentia tão menor do que já sou eu queria ter te dito como eu estava triste e não havia nada que você pudesse fazer, mas você tentava, e eu me afagava nas costas desenhadas pela areia, afogava naquela água toda que tentava cobrir as grutas dentro de mim.


Resenha: Seja homem (JJ Bola - Editora Dublinense)

Seja Homem é um livro que busca analisar a construção da masculinidade no patriarcado, discutindo como as práticas do que seria “ser um home...