17.12.12

Em busca do Satori

esse é o ponto enquanto a maioria das pessoas se encolhem nesse medo do que pode encontrar quando chegar ao fim da viagem de si mesmo - eu não tenho. vivo em busca de cavar mais e mais o poço vazio que sou na esperança de encontrar algo e só escuto o que reverbera - sem nenhum entendimento


nunca tive medo de encarar o espelho e ver minhas feridas nunca tive medo de abraçar tua alma estranha e saber

a dor que causaria


porque eu sempre preferi pular no abismo sem enxergar o chão sempre preferi descer de olhos abertos em todas as montanhas russas da insanidade 

e terminar sem fôlego


mas afinal quem iria se dizer lúcido quando se entrega completamente e imediatamente a todos os penhascos da vida?




16.12.12

Henry Miller - Crazy Cock

"... Ela sentiu que em tudo, sublime ou ignóbil,se escondia uma força turbulenta e vital, era apenas um pálido reflexo - Eu quero viver! - murmurou desvairada - Quero viver!"

"Era impossível para ela sequer formular, mesmo para si mesma, o significado daquilo que a inundava e que, naquele momento, iluminava para ela as zonas encobertas de seu ser"

13.12.12

Carta de Virginia Woolf para Leonard Woolf

A carta mais triste de todos os tempos, talvez? Mas com certeza a carta que mais me toca, que me faz em pedaços toda vez que leio. 




Dearest, I feel certain that I am going mad again. I feel we can’t go through another of those terrible times. And I shan’t recover this time. I begin to hear voices, and I can’t concentrate. So I am doing what seems the best thing to do. You have given me the greatest possible happiness. You have been in every way all that anyone could be. I don’t think two people could have been happier ’til this terrible disease came. I can’t fight any longer. I know that I am spoiling your life, that without me you could work. And you will I know. You see I can’t even write this properly. I can’t read. What I want to say is I owe all the happiness of my life to you. You have been entirely patient with me and incredibly good. I want to say that — everybody knows it. If anybody could have saved me it would have been you. Everything has gone from me but the certainty of your goodness. I can’t go on spoiling your life any longer. I don’t think two people could have been happier than we have been. V.


15.10.12

História do Olho, Georges Bataille



Livro escrito em 1928, fruto de uma espécie de "descarrêgo" psicológico de devassidões de Georges Bataille. Incentivado por seu psicanalista, Bataille começou a escrever 'A história do Olho' na intenção de expurgar os demônios e também os anjos de seu espírito devasso, nos proporcionando um passeio erótico sem igual, inimaginável, literalmente INCRÍVEL e o mais importante (o que eu espero que seja): libertador. Libertino e Libertador, aqui, os dois adjetivos se confundem, andam juntos, entrelaçam-se sem vergonha. Vergonha é na verdade uma palavra inexistente nessa journey. Acontece que Bataille não tinha vergonha de não ter vergonha, a libertinagem é liberada e acontece de forma muito natural e eu fico a pensar se não deveria ser realmente assim.  Pode ocorrer de acharmos que é extremismo em certos momentos da aventura de Simone e seu companheiro sem nome. Mas tudo acontece em nome do pau, da boceta, de santo prazer e nada mais. É um caso delicado, meu caro, mas é isso que uma obra de arte deve "servir" para: fazer pensar, discutir, mudar; mesmo depois de décadas. E certeza que A História do Olho vai ainda dar muito o que pensar mesmo depois de milênios. E pra quem acha que o livro é uma ou é de "putaria" e é só isso que você vai encontrar, engano seu caro Wilson. 


Trechos:

"Para os outros, o universo parece honesto. Parece honesto para as pessoas de bem porque elas têm os olhos castrados. É por isso que temem a obscenidade. [...] Em geral apreciam os "prazeres da carne", na condição de que sejam insossos. 
Mas, desde então, não havia dúvidas: eu não gostava daquilo que se chama "os prazeres da carne", justamente por serem insossos. Gostava de tudo o que era tido por "sujo". Não ficava satisfeito, muito pelo contrário, com devassidão habitual, porque ela só contamina a devassidão e, afinal de contas, deixa intacta uma essência elevada e perfeitamente pura. A devassidão que eu conheço não suja apenas o meu corpo e os meus pensamentos, mas tudo o que em sua presença e, sobretudo, o universo estrelado..."
(Os olhos abertos da morta)

"Cortei a corda, ela estava bem morta. Nós a colocamos em cima do tapete. Simone me viu de pau duro e me bateu uma punheta; deitamos no chão e eu a fodi ao lado do cadáver. Simone era virgem e aquilo nos machucou, mas estávamos contentes justamente por nos machucar" (Os olhos abertos da morta)

"[...] Simone realmente se masturbava, colada contra as grades, o corpo tenso, as coxas afastadas, os dedos remexendo os pentelhos. Consegui tocá-la, minha mão alcançou o buraco entre as nádegas. Nesse momento, ouvi-a claramente pronunciar:
- Padre, ainda não disse o pior.
Seguiu-se um silêncio.
- O pior, padre, é que esto me masturbando enquanto falo com o senhor.
Mais alguns segundo, agora de cochichos. Finalmente, quase em voz alta:
- Se não acredita posso lhe mostrar.
E Simone de levantou, abrindo-se diante do olho da guarita, masturbando-se, em êxtase, com a mão segura e rápida.
- E então, padreco - berrou Simone golpeando violentamente o armário - ,o que é que você está fazendo no seu barraco? Batendo punheta também? [...]"


E vai aqui o link pra baixar outro livro do Bataille (que eu ainda vou ler): O Erotismo

6.9.12

"Ele é um visionário..."

"De toda a humanidade o grande poeta é o equalizador. Não é nele que as coisas são grotescas ou excêntricas ou faltam sanidade, mas sim fora dele"

"[...]Se a paz é rotina, nele fala o espírito da paz, grande, rico, próspero, [...] nada perto demais, nada longe demais... as estrelas não estão tão distantes assim."


- Walt Withman - Folhas de Relva (Introdução)

23.7.12

A Câmera das mãos

em um filme francês
fotografo nossos corpos nus com minhas mãos
o meu toque é que traz tudo de volta
nos meus dedos eu sinto o gosto do meu gozo 
a lembrança que
ninguém precisa ver.


144 anos de Virginia Woolf

Há 144 anos nascia Adeline Virginia Stephen, depois conhecida simplesmente por Virginia Woolf (sobrenome de seu esposo Leonard Woolf) Durant...