7.12.11

Ferreira Gullar - Crime na Flora

"A velha língua tece a teia"


provavelmente, o livro mais  "difícil" que eu já li na vida.   Mas, estou tentando apenas sentir a grama fresca dessa flora nos pés, um livro tão a frente de seu tempo que parece que foi publicado ontem.



27.11.11

Redoma de Vidro, o fim da viagem dentro de mim mesma

"O problema é que eu fora inadequada o tempo todo, só que nunca pensara nisso."



"Queria-os todos, e escolher um significava perder o resto; incapaz de me decidir, os figos começavam a murchar e a apodrecer, e um a um caíam no chão aos meus pés."


10.11.11

Jorge Luis Borges - Elogio da Sombra

Maio 20, 1928


Agora é ivunerável como os deuses.
Nada na terra pode ferí-lo, nem o desamor de uma mulher,
nem a tísica, nem as ansiedades do verso, nem
essa coisa branca, a lua, que já não tem de fixar em
palavras.
Caminha lentamente sob tílicas; olha as balaustradas e as 
portas, não para lembrá-las. 
Já sabe quantas noites e quantas manhã lhe faltam.
Sua vontade lhe impôs uma disciplina precisa. Executará
determinados atos, atravessará previstas esquinas,
tocará em uma árvore ou em uma grade, para que o
futuro seja tão irrevogável como o passado.
Age dessa maneira para que o fato que deseja e que teme
outra coisa não seja que o termo final de uma série.
Caminha pela rua 49; pensa que nunca atravessará este ou
aquele pátio lateral.
Sem que suspeitassem, já se despedira de muitos amigos.
Pensa no que nunca saberá, se o dia seguinte será um dia 
de chuva.
Passa por um conhecido e lhe faz uma brincadeira. Sabe que
esse episódio será, durante um certo tempo, mera 
lembrança.
Agora é ivunerável como os mortos.
Na hora fixada, subirá por alguns degraus de mármore (Isto
perdurará na memória de outros.)
Descerá ao lavatório; no piso axedrezado a água apagará 
rapidamente o sangue. O espelho o aguarda.
Ajeitará o cabelo, ajustará o nó da gravata (sempre foi um 
pouco dândi, como condiz a um jovem poeta) e procurará
imaginar que o outro, o do cristal, executa os
atos que ele, seu duplo, repete-os. A mão não lhe 
tremerá quando ocorrer o último gesto. Docilmente, 
magicamente, já terá enconstado a arma contra a têmpora.
Assim, creio, aconteceram as coisas.


[Jorge Luis Borges in Elogio da sombra]


25.10.11

Chico Buarque e Marlon Brando?


"E num mesmo impulso me expulsa e abraça
Nossas peles grudando de suor"
Chico Buarque [Caçada]

A Streetcar Named Desire [Elia Kasan]

22.10.11

Sylvia Plath - Redoma de Vidro

"Acho que eu devia ter ficado excitada, como a maioria das outras moças, mas não conseguia reagir. Sentia-me boba e muito vazia, como o olho de um furacão deve se sentir ao mover-se apaticamente em meio ao tumulto ao seu redor."


Imagina que você quer ler um livro há quase dois anos e nunca consegue, porque 1º: era preciso muito dinheiro para comprá-lo; 2º: você só lê livros que aluga em bibliotecas ou que pega emprestado de amigos; 3º e obviamente, se você ainda não leu, é porque as opções citadas anteriormente eram inválidas durante dois anos. Esse é o começo da minha história com Sylvia Plath.
Para dramatizar mais ainda e pra se ter noção do meu jeito, eu li uma reportagem sobre suicídio na 'Super Interessante', a Plath era citada na matéria e claro que eu fiquei louca para lê-la. Sim, eu tenho amor a primeira lida por escritoras depressivas. Por que? "Que horror." [você deve pensar]. Ora, porque eu sou uma escritora depressiva e eu quero alguém que me entenda. [Excetuando o fato de eu não ser bem uma escritora]

Então, nessa semana, exatamente no dia 20 de outubro de 2011, ao ir ao meu passeio semanal pela biblioteca da faculdade, sempre vou lá, quando não quero conversar com ninguém, ou quando quero esquecer problemas. E o que eu encontro no dia 20 de outubro? O LIVRO DA SYLVIA PLATH. Eu falei um 'mothefucker' quase que alto, e sai quase que correndo pra não perder tempo e ir logo pra casa ler .

Ok, eu ainda tenho mais de 700 páginas de 'Dom Quixote'; cem páginas de 'On The Road' e mais de 100 de 'Memórias Póstumas de Brás Cubas' pra terminar de ler. Mas, claro que isso podia esperar.

Quando comecei a ler, a noite, antes de dormir, foi a mesma sensação de 'encontrei meu lugar' quando li meu primeiro livro da Clarice Lispector, da Virginia Woolf e do Fernando Pessoa. Que são definitivamente, meus autores preferidos. Claro que tenho outros, que me deixam super empolgada, como Bukowski, Roberto Piva, Allen Ginsberg e recentemente, Henry Miller e Jack Kerouac. [ah, claro que essa lista vai crescer e claro que ela pode mudar]

Ler 'On The Road' está sendo ótimo, e eu precisaria de outra postagem pra falar disso, mas ler Sylvia Plath é conversar com uma amiga, sabe? Com alguém que sabe o que você sente, quase que exatamente. É essa a magia da literatura, duas pessoas podem ser cúmplices, mesmo com anos de diferença em que uma viveu e a outra, mesmo com séculos de diferença. 

8.10.11

Talvez eu só precise de um Hudson 49

Trechos de 'On The Road', Jack Kerouac.


"Não é verdade que você começa a vida como uma criancinha crédula sob a proteção paterna? E então chega o dia da indiferença, em que o cara descobre que é um desgraçado, um miserável, fraco, cego e nu, e com a aparência de uma fantasma e fatídico avança trêmulo por uma vida de pesadelo."






"De repente, comecei a rir. Estava completamente só no carro, esperando enquanto ele [um cara que deu carona a Jack] dava uns telefonemas de negócios em Allentown, e eu ria e ria. Deus, eu estava farto e de saco cheio da vida"






"O balconista da farmácia, Sam, um sujeito comprido e sossegado que era meu amigo, olhou para mim e coçou a cabeça: "Nossa, o que você está gerenciando, um bordel internacional?"






"A paz virá de repente, a gente não vai nem compreender quando acontecer - percebe, cara? ["Dean Moriarty"]




"... gosto de muitas coisas ao mesmo tempo e me confundo inteiro e fico todo enrolado correndo de uma estrela cadente para outra até desistir. Assim é a noite, e é isso o que ela faz com você, eu não tinha nada a oferece a ninguém, a não ser minha própria confusão" [essa me aniquila geral, não sobra nenhum um pedacinho de Nádia pra contar história :/]





144 anos de Virginia Woolf

Há 144 anos nascia Adeline Virginia Stephen, depois conhecida simplesmente por Virginia Woolf (sobrenome de seu esposo Leonard Woolf) Durant...