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17.12.12

Em busca do Satori

esse é o ponto enquanto a maioria das pessoas se encolhem nesse medo do que pode encontrar quando chegar ao fim da viagem de si mesmo - eu não tenho. vivo em busca de cavar mais e mais o poço vazio que sou na esperança de encontrar algo e só escuto o que reverbera - sem nenhum entendimento


nunca tive medo de encarar o espelho e ver minhas feridas nunca tive medo de abraçar tua alma estranha e saber

a dor que causaria


porque eu sempre preferi pular no abismo sem enxergar o chão sempre preferi descer de olhos abertos em todas as montanhas russas da insanidade 

e terminar sem fôlego


mas afinal quem iria se dizer lúcido quando se entrega completamente e imediatamente a todos os penhascos da vida?




16.12.12

Henry Miller - Crazy Cock

"... Ela sentiu que em tudo, sublime ou ignóbil,se escondia uma força turbulenta e vital, era apenas um pálido reflexo - Eu quero viver! - murmurou desvairada - Quero viver!"

"Era impossível para ela sequer formular, mesmo para si mesma, o significado daquilo que a inundava e que, naquele momento, iluminava para ela as zonas encobertas de seu ser"

15.10.12

História do Olho, Georges Bataille



Livro escrito em 1928, fruto de uma espécie de "descarrêgo" psicológico de devassidões de Georges Bataille. Incentivado por seu psicanalista, Bataille começou a escrever 'A história do Olho' na intenção de expurgar os demônios e também os anjos de seu espírito devasso, nos proporcionando um passeio erótico sem igual, inimaginável, literalmente INCRÍVEL e o mais importante (o que eu espero que seja): libertador. Libertino e Libertador, aqui, os dois adjetivos se confundem, andam juntos, entrelaçam-se sem vergonha. Vergonha é na verdade uma palavra inexistente nessa journey. Acontece que Bataille não tinha vergonha de não ter vergonha, a libertinagem é liberada e acontece de forma muito natural e eu fico a pensar se não deveria ser realmente assim.  Pode ocorrer de acharmos que é extremismo em certos momentos da aventura de Simone e seu companheiro sem nome. Mas tudo acontece em nome do pau, da boceta, de santo prazer e nada mais. É um caso delicado, meu caro, mas é isso que uma obra de arte deve "servir" para: fazer pensar, discutir, mudar; mesmo depois de décadas. E certeza que A História do Olho vai ainda dar muito o que pensar mesmo depois de milênios. E pra quem acha que o livro é uma ou é de "putaria" e é só isso que você vai encontrar, engano seu caro Wilson. 


Trechos:

"Para os outros, o universo parece honesto. Parece honesto para as pessoas de bem porque elas têm os olhos castrados. É por isso que temem a obscenidade. [...] Em geral apreciam os "prazeres da carne", na condição de que sejam insossos. 
Mas, desde então, não havia dúvidas: eu não gostava daquilo que se chama "os prazeres da carne", justamente por serem insossos. Gostava de tudo o que era tido por "sujo". Não ficava satisfeito, muito pelo contrário, com devassidão habitual, porque ela só contamina a devassidão e, afinal de contas, deixa intacta uma essência elevada e perfeitamente pura. A devassidão que eu conheço não suja apenas o meu corpo e os meus pensamentos, mas tudo o que em sua presença e, sobretudo, o universo estrelado..."
(Os olhos abertos da morta)

"Cortei a corda, ela estava bem morta. Nós a colocamos em cima do tapete. Simone me viu de pau duro e me bateu uma punheta; deitamos no chão e eu a fodi ao lado do cadáver. Simone era virgem e aquilo nos machucou, mas estávamos contentes justamente por nos machucar" (Os olhos abertos da morta)

"[...] Simone realmente se masturbava, colada contra as grades, o corpo tenso, as coxas afastadas, os dedos remexendo os pentelhos. Consegui tocá-la, minha mão alcançou o buraco entre as nádegas. Nesse momento, ouvi-a claramente pronunciar:
- Padre, ainda não disse o pior.
Seguiu-se um silêncio.
- O pior, padre, é que esto me masturbando enquanto falo com o senhor.
Mais alguns segundo, agora de cochichos. Finalmente, quase em voz alta:
- Se não acredita posso lhe mostrar.
E Simone de levantou, abrindo-se diante do olho da guarita, masturbando-se, em êxtase, com a mão segura e rápida.
- E então, padreco - berrou Simone golpeando violentamente o armário - ,o que é que você está fazendo no seu barraco? Batendo punheta também? [...]"


E vai aqui o link pra baixar outro livro do Bataille (que eu ainda vou ler): O Erotismo

6.9.12

"Ele é um visionário..."

"De toda a humanidade o grande poeta é o equalizador. Não é nele que as coisas são grotescas ou excêntricas ou faltam sanidade, mas sim fora dele"

"[...]Se a paz é rotina, nele fala o espírito da paz, grande, rico, próspero, [...] nada perto demais, nada longe demais... as estrelas não estão tão distantes assim."


- Walt Withman - Folhas de Relva (Introdução)

24.3.12

Ingmar Bergman dialoga com Hilda hilst

"... Iria? Suportaria guardar no peito esse reservatório de dejetos, estanque, gelatinoso, esse caminhar nítido para a morte, o vaidoso gesto sempre suspenso em ânsia para te alcançar, Menino-Poroc? Suportaria o estar viva, recortada, um contorno incompreensível repetindo a cada dia passos, palavras, o olho sobre os livros, inúmeras verdade lançadas à palavra, e mentiras imundas exibidas como verdades, e aparências do nada, repetições estéreis, farsas, o dia do homem do meu século? e apesar dessa poeira de pó, de toda cegueira, do aborto dos dias, da não luz dentro da minha matéria, a imensa insuportável funda nostalgia de ter amado o gozo, a terra, a carne de outro, os pêlos, o sal, o barco que me conduzia, umas tardes-amora brevíssimas espirrando sucos pela cara, rosada cara da JUVENTUDE e vivez..."
(HILST, Hilda - A Obscena Senhora D, página 33-34)


Mais uma vez, Juventude, de Bergman
Resumindo esse filme em uma frase eu diria
É o frescor e o toque de melancolia que trás o fim de uma tarde amena. 

11.3.12

O Mundo do Sexo - Henry Miller

"Seja homem! Mais tarde, é claro, compreende-se que "ser um homem" é coisa muito diferente. Um dia tornar-se-á evidente que são muitos poucos aqueles que merecem o título de HOMEM. E quanto mais convencidos dessa verdade nós estivermos, menos homens vamos encontrar pela frente. Se nos agarramos com todas as nossas forças a esse pensamento, vamos acabar no vazio absoluto do Himalaia e descobrir que aquilo que chamamos de homem ainda está para nascer." (página 39/40)

"A mim nunca importou o quanto eu pudesse me apegar a uma "boceta"; sempre me interessei muito mais pela sua dona. Nenhuma boceta vive uma vida à parte, independente. Essa independência é uma utopia. Tudo o que existe é entrelaçado. Talvez uma boceta, embora tenha um cheiro característico, seja u símbolo primário da ligação que existe entre tudo. Entrar na vida através de uma boceta é um meio tão satisfatório quanto qualquer outro. Quando se entra com vontade e nela se permanece muito tempo, é possível encontrar o que se está procurando. ATENÇÃO: Mas é necessário entrar de corpo e alma - e deixar para trás todos os nossos pertences. (Com pertences quero dizer medos, preconceitos, superstições)

Isso ai, senhor Miller.


8.3.12

El.

Confesso que ler O Aleph foi difícil, sei lá, ele não me chegou, não criei laços, era um mundo que não era meu, espero gostar de ficções. É inegável o talento de borges e ainda mais a inveja que tenho por tanto talento e conhecimento de mundo, mas o Aleph não me conquistou por completo. Palmas.



144 anos de Virginia Woolf

Há 144 anos nascia Adeline Virginia Stephen, depois conhecida simplesmente por Virginia Woolf (sobrenome de seu esposo Leonard Woolf) Durant...