29.6.22
mensagem-bomba
3.11.20
Desafio #umafagulhapordia: dia 4 - um poema com nome de uma cor: é branco
um poema com nome de
uma cor: é branco
na hora de descrever o suspeito
talvez importasse dizer a cor
da camisa, do cabelo , dos olhos
algumas vezes importa mais a cor do vestido dela
determina se menos ou mais culpada por ter sido vítima
e sem contar a bebida
qual bebida?
a que apagou ela
deve ser branca
branca? a bebida era branca?
não, a cor de quem faz justiça no Brasil
de quem absolve
de quem defende
de quem estupra e sai inocente
é branca
tão branca que apaga toda a culpa dele
2.11.20
Desafio #umafagulha por dia - dia 1 - um poema com nome de cidade: Fortaleza
Fortaleza
pensei ter sido muito louco
transar em cima da pia do banheiro
ou na janela de um hotel
ou a masturbação às escondidas no carro
entre outras cenas protagonizadas
por mim e minha falta de autoestima
dignas de folhetins eróticos de banca de revista
cenas seguidas, é claro
de toda a humilhação possível
para uma garota que aprendeu desde cedo a confundir
aceitação alheia com automutilação
pensei ter feito loucuras em muitas cidades
mas a maior delas foi ficar aqui
explodindo fronteiras inexploradas dentro de mim.
//
Em Novembro, estou participando do desafio Uma Fagulha por dia, proposto pela Claudine do perfil https://www.instagram.com/claudinemesmo/ que consiste em fazer um poema por dia com temas que ela sugeriu no perfil dela. Não garanto que todo dia irei consegui, mas vai valer a tentativa.
1.11.20
Faxina
é silêncio no domingo à noite
juntamos os restos que não jantamos
do que não nos coube no estômago
para guardar na geladeira e almoçar no dia seguinte
juntamos todas as incompletudes semanais
no cansaço que pousa em cada vértebra
de minha coluna torta.
é domingo à noite e faz silêncio
prefiro deixar a casa limpa agora
imagino que acordarei amanhã
como se a casa fosse
um palco
pronto para que eu dance novamente os mesmos passos
ou invente novas coreografias domésticas
ir à cozinha às 7:00 e passar o café
me alongar na sala
depois me encaminhar para a mesa no escritório,
ou talvez antes arrumar a cama.
ou quem sabe hoje mudar aquele móvel de lugar.
é domingo à noite e faz silêncio
a palavra mais simples foi dita
na quietude do inesperado: desculpa
- desculpa também.
prefiro deixar a casa limpa
agora que chorei mágoas secretas enterradas
no quartinho dos fundos do apartamento,
aquele em que guardamos coisas que não vamos usar
desnecessárias, gigantes demais para ficarem à vista
mas apenas
continuam lá.
18.6.18
[poema] Teu nome é
abençoada essa segunda-feira que amanhece chuvosa
que águas corram que águas corram
levem lavem
em larvas meu coração estremece
desejo morte mas meu corpo é todo vida
I listened to the old brag of my heart iamiamiam
e quando me sinto só ele grita e chove
senhora das chuvas de junho
esteja comigo
8.4.18
rotina
te odeio
chego bebada
em casa
me masturbo
te esqueço
gostaria de te dizer que fiz esse poema pensando em ti
mas não posso
coloco as músicas que me lembram você
em modo privado
tudo sobre nós é um segredo
ruim.
3.4.18
esse não é um poema romântico
que me arranham como unhas roídas em vestido de seda
ou quando eu penso nas ruas e estradas vazias dos filmes de won kar wai
habitadas por sentimentos sombrios cobertas de solidão.
todas as histórias de paixão nos alimentam como se um carro capotando e caindo num abismo fosse o mesmo de um grande amor.
2.4.18
O que você quis dizer com eu não deveria gritar?
31.3.18
é claro
e você
e nela também
e em você
e naquela conversa
e naquele comentário que ela não deveria ter feito
e no silêncio que alarga cada vez mais entre vocês
como um músculo que cresce, trabalhado todos os dias
assim é a distância que se criou entre eles
e elas
mas ela ainda lembra
de tudo em que sua cabeça não deveria pensar as 3h da manhã
quando ela devia acordar às 5
mas ela pensa nisso
nessa merda toda em que ela se envolve todos os dias
que não faz sentido algum pensar
![]() |
| Je, tu, il, elle |
12.3.18
Camiñar
29.12.17
Vírgulas
Se pareço estar, bem, provavelmente é mentira.
escrevo sobre ter terminado esse ciclo revendo um filme bonito
se minha vida não pode virar um poema não vai ter sentido vivê-la
Ninguém acordado a essa hora
a essa hora todos nossos pensamentos se alinham invonlutariamente para voltar aos ponteiros da memória do que vivemos durante
a essa hora as conversas se esbarram aos sopapos
quando andamos apressados de cabeça baixa e de repente
a essa hora nós dois conversamos banalidades tentando evitar assuntos mais sérios
como quando caminhamos no paralelepipedo quando criança só para sentir a fina camada de adrenalina de se estar prestes a cair
num abismo
ou apenas tentando se equilibrar
estamos apenas tentando nos equilibrar
esse ano que vem parece tão incerto né
angel
ouça
vamos ficar bem
ta
procuramos terminar o poema com uma mensagem positiva pois é dia 30 de dezembro.
20.8.17
25.4.17
Vulva Termostática
Essa não é uma cena triste
Isso não é solidão
vou percorrendo meus pelos
acariciando meus lábios
ternura
vulva termostática
Sua função é proporcionar um aquecimento mais rápido e depois manter a temperatura dentro de uma faixa ideal, controlando o fluxo de líquido de
é uma válvula
mas não é pro seu escape
enquanto você pensa que sabe o que fazer
eu penso como realmente é
Ao atingir a temperatura especificada, a válvula abre-se através da ação da cera expansiva (aumenta seu volume em função da temperatura) permitindo que o líquido passe
quando eu enxerguei minha luz amaldiçoei a todos por essa escuridão
do sexocorpo aprisionado da mulher tenaz
aquela que resiste à pressão sem partir-se
liquefaz
que faz desse momento seu domínio sobre si
tu és mulher
livre pra se amar
tenho tesão em mim
Essa não é uma cena triste
Isso não é solidão
adentro
afundo deslizo e
me ponho pra fora
liberto-me
conhecendo-me e me amando
refazendo-me e gozando
pelos pés o sentimento elétrico químico
eu cansei de falar de você
eu não sinto mais esse prazer
meus pecados agora sou eu em quantas partes me divido
e eles pertencem a mim
a mim
![]() |
| Desenho: Raisa Cristina |
14.3.17
11.1.17
mais de uma vez
eu senti o gosto disso
mais de uma vez
você me colocando pra baixo de novo
com suas culpas
com minhas culpas
que novidade
eu já estive lá,
eu estive lá milhares de vezes
meus olhos te ferem
mas eu não sangro
pegamos o mesmo barco
remamos para lados opostos
eu decidi pular nadar parar em terra firme
tentei não ouvir todas as músicas que me lembram você
mas mastiguei até as que não me lembram você
fim de partida
esperando dias felizes
o tempo está se esgotando o tempo está se esgotando o tempo está se esgotando corre pega
vai
embora
o tempo está se esgotando o tempo está se esgotando eles estão chegando com as luzes de emergências acesas em seus dedos
suck it in
12.10.16
13.9.16
30.8.16
Sem Título IV
queria poder segurar na mão desse dia e que ele segurasse na minha
mas ele me solta
ele se solta
ela te solta
só restou minha mão aberta trêmula no vazio passa um carro e a arranca
fica o braço ensanguentado
eu não grito
todos eles gritam
tu ainda me ama?
massa
eu queria poder levantar as oito e aguentar o dia dormir o sono dos justos as onze
mas eu não sou justa
não tenho sono
e prefiro escrever poemas
nesse momento alguém chora sozinho debaixo do céu estrelado do sertão
como irei te dizer?
invento mil formas de te d
izer
não consigo pegar uma fruta e comê-la
não consigo pegar a frase certa
escrevo então as frases erradas na hora errada para um alívio certo
don't judge me
eu te amo
existem cavernas dentro de mim
não sei se você vai gostar.
25.8.16
Sem Titulo III
e fico vendo os minutos passar
enquanto escrevo um poema
das conversas contigo
e não parece nada disso
144 anos de Virginia Woolf
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