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24.6.20

Ela Disse - Jodi Kantor e Megan Twohey


"Ela Disse - os bastidores da reportagem que impulsionou o #metoo" vai relatar todo o processo das jornalistas Jodi e Megan para publicarem uma matéria expondo décadas de assédio sexual e a compra do silêncio das vítimas por meio de acordos de confidencialidade cometidos pelo produtor de cinema Harvey Weinstein. 

Ao relatar todo o processo investigativo, o livro levanta diversas questões envolvendo a violência sexual contra mulheres trazendo como plano de fundo a indústria cinematográfica de Hollywood, mas também abrindo espaço para pensarmos na total falta de segurança que ainda há para mulheres nos diversos ambientes de trabalho. 

Como um fio de um novelo, a história começa por Harvey e seus acordos de silenciamento, mas desenrola um emaranhado de relatos da real situação do assédio sexual hoje. Engasgadas com a sensação de que nada mudou durante décadas de luta feminista, percebemos o complô entre criminosos sexuais e um sistema judiciário que não entende o que uma vítima de violência sexual passa, com base em leis que não nos protegem. 

Também traz reflexões sobre a real eficácia do engajamento virtual e o que pode ser de fato mudado quando há um movimento como o #metoo. Faço algumas críticas ao tom jornalístico meio distanciado e por em nenhum momento usarem a palavra machismo e patriarcado como a real origem de toda essa violência. 

O livro acaba deixando a desejar ao não propôr uma crítica que faça os leitores compreenderem que não se trata de um "comportamento predatório" que surge do nada, mas que é amparado pelo machismo e sem a destruição do pensamento patriarcal não estaremos livres nunca e por isso precisamos do feminismo, mas promove um debate sobre o quanto precisamos acreditar numas nas outras e da força dessa união para quebramos essas correntes de silêncio.

11.12.18

Nós Existimos

A literatura, substantivo feminino, no entanto, é masculina. A literatura é masculina. Clarice Lispector, Chimamanda, Toni Morrison.. mulheres que escreviam e escrevem histórias sob a perspectiva de personagens femininos. Você tem ideia o quão isso é... revolucionário isso é? Abro um livro, escrito por um homem, personagens centrais: homens, clássico, quando não é clássico mesmo é clássico marginal. Mulheres da história? Ocupam posições "inferiores" e nas primeiras aparições já entram para compôr alguma situação sexual com o homem.. não, o livro não é o ruim, ele é muito bom, estou me divertindo, mas cansa. Cansa esse mesmo quadro. Cansa. Imagina então... se não lêssemos mulheres? Talvez nem existíssemos.. mas existimos, resistimos. Nossas narrativas existem, nossas histórias importam, nossas lutas, nossos pensamentos, nosso sexo também. Quantos livros existem de homens se masturbando? E em quantos há mulheres gozando? Por que por que vocês simplesmente não se importam? Por que quando escrevem sobre nós é para o ego dos personagens de vocês? Você não conhecem mulheres que lutam, que choram, que amam,que são livres, que são fortes que possam passar mensagens de coragem e beleza para outras mulheres? Elas não existem? Talvez não e nem a literatura escrita por homens se deu ao trabalho de inventar.


30.7.18

[conversas] Reprimir machismo é um avanço




Quando alguém diz pra não julgar a literatura ou a arte de um ponto de vista ideológico, querido, ele já ta empurrando uma ideologia, mas no caso a dominante.

sobre a colocação de Mario Vargas Llosa

"em pretende julgar a literatura – e creio que isto vale em geral para todas as artes – de um ponto de vista ideológico, religioso e moral sempre se verá em apuros. E das duas uma: ou aceitam que essa atividade esteve, está e sempre estará em conflito com o que é tolerável e desejável a partir de tais perspectivas, e portanto a submetem a controles e censuras que pura e simplesmente acabarão com a literatura, ou se resignam a lhe conceder aquele estatuto de cidadania que poderia significar algo parecido a abrir as jaulas dos zoológicos e deixar que as ruas se encham de feras e alimárias."

no caso ele estava atacando o feminismo dito por ele "radical", como se o machismo fosse algo indecente e não aceito na sociedade, ah vá, se tem algo que é muito bem aceito na literatura e nas artes é o machismo. Esse tipo de pensamento tenta confundir revolução com repressão moral, religiosa, quando tanto a moral dos bons costumes como a religião aceitam e apoiam o machismo. Agora estão querendo nos convencer de que feminismo é "politicamente correto" de forma pejorativa como se o papa fosse feminista, como se a santa igreja católica fosse feminista, como se fazer o correto para as mulheres seria destruir a humanidade, ou como ele mesmo disse, destruir a literatura. Ou será que então o Sr. Llosa não está apenas assumindo o quão danoso a literatura foi ao longo dos séculos para as mulheres, para a imagem que temos hoje das mulheres? Por que se criticar a literatura pelo viés feminista é acabar com a literatura, então algo muito estranho foi construído ao longo dos anos. Sem contar que ele descarta totalmente o trabalho de feministas que fazem literatura e da melhor qualidade. Tá querendo dizer que a busca pela libertação da opressão da mulher tão bem representada pela arte que que homens fazem seja algo "careta" e "politicamente correto". Tá dizendo que agora por conta do feminismo os homens estão com medo de se expressar? Imagina ser mulher desde que o mundo é mundo, seu Vargas Llosa, pra você saber o que é medo.

como fiz a maravilhosa Adelaide Ivánova aqui é anarcobucetismo.




15.7.18

[Conversas] Por que ainda nos importamos tão pouco com as mulheres?

"Porque há o direito ao grito. Então eu grito. Grito puro e sem pedir esmola."
Clarice Lispector


Foto de Jamille Queirox


A queima às bruxas não é levada tão a sério historicamente quanto o holocausto, ou a escravidão. Talvez pela "quantidade', talvez pela imprecisão dos dadosm talvez pela falta de pesquisa. O fato é que muita gente entende o quão abominável foi a escravidão da população negra ou o holocausto dos judeus, apesar de ainda reproduzirem racismo e xenofobia. Mas as pessoas em maior parte ainda se recusam a refletir no exterminio silencioso das mulheres e ao longo da história, ou na violência extrema de uma época em que queimavam mulhres em praça pública e insistem em justiicar misoginia com contexto histórico. Por acaso o contexto histórico justifica a escravidão, o holocausto? Por que então quando lemos um filósofo, escritor machista a gente fala "mas tem que levar em conta a época"



11.7.18

[projetos] Clube de Leituras feministas - Fortaleza



O Clube existe desde 2017 e é organizado pela Ana Carolina. Os avisos das datas acontecem no perfil dela do instagram e no grupo no facebook Clube de Leituras Feministas. Ainda não consegui me programar para ir a nenhum encontro, mas super amo a ideia desse clube extremamente necessário. Aqui fica o registro da programação do segundo semestre. No grupo do facebook sempre que possível eles disponibilizam links dos livros pra baixar e links de outras referências! Vale muito participar!



LIVROS DO CLUBE LEITURAS FEMINISTAS 2018.2: (Clica na imagem pra baixar

AGOSTO: Mulheres que Correm com os Lobos – Clarissa Pinkola Estes


SETEMBRO: Um Teto Todo Seu – Virgínia Woolf


OUTUBRO: Política Sexual da Carne – Carol J. Adams

NOVEMBRO: Objeto Sexual – Jessica Valenti


DEZEMBRO: Calibã e a Bruxa - Silvia Federici


144 anos de Virginia Woolf

Há 144 anos nascia Adeline Virginia Stephen, depois conhecida simplesmente por Virginia Woolf (sobrenome de seu esposo Leonard Woolf) Durant...