29.6.22

Sobre Fotografia - Susan Sontag [Trechos] [leitura 37]

Na Caverna de Platão

[...] quanto mais eu pensava sobre o que são as fotos, mais complexas e sugestivas elas se tornavam.


Em primeiro lugar, existem à nossa volta muito mais imagens que solicitam nossa atenção. O inventário teve início em 1839, e, desde então, praticamente tudo foi fotografado, ou pelo menos assim parece. Essa insaciabilidade do olho que fotografa altera as condições do confinamento na caverna: o nosso mundo. Ao nos ensinar um novo código visual, as fotos modificam e ampliam nossas ideias sobre o que vale a pena olhar e sobre o que temos o direito de observar. Constituem uma gramática e, mais importante ainda, uma ética do ver. Por fim, o resultado mais extraordinário da atividade fotográfica é nos dar a sensação de que podemos reter o mundo inteiro em nossa cabeça — como uma antologia de imagens.
Fotografar é apropriar-se da coisa fotografada. Significa pôr a si mesmo em determinada relação com o mundo, semelhante ao conhecimento — e, portanto, ao poder
Fotos fornecem um testemunho. Algo de que ouvimos falar mas de que duvidamos parece comprovado quando nos mostram uma foto. Numa das versões da sua utilidade, o registro da câmera incrimina.

Plágio, originalidade, e autenticidade

Você não é original ;)


livro: Grande Magia (Elizabeth Gilbert)


De 2020 pra cá tenho buscado livros sobre criatividade. 

Um foi "Roube como um artista" e esse agora Grande Magia. 

Ambos falam sobre o assunto de plágio e originalidade desmistificando a arrogância/medo de achar que você só vai poder criar algo se for "original" e até mesmo a ideia que se tem de originalidade. 

Já fiquei travada várias vezes em jogar alguma ideia e vir alguém aleatório me acusar de plágio. Mas cada vez tenho percebido a bobagem disso. 

Então, não tenha medo de lançar suas ideias nem achando que vai ser parecida com alguém PORQUE VAI SIM. E nem com a arrogância de achar que vai ser a única Coca-Cola do deserto :)

Eu estou lendo errado e provavelmente você também

Esse título super chamativo não quer dizer isso de verdade, é só porque sempre quis fazer uma manchete dessas haha

Mas mesmo assim, eu sinto que estou numa relação estranha com a leitura.

Desde que comecei a postar com mais frequência no Instagram e seguir tendências de perfis literários como: desafio de 12 livros para ler no ao, contar os lidos do ano, contar os lidos do mês, participar de maratonas literárias ou desafios. Coisas que são legais, aproximam os leitores na internet, mas começaram a engessar minha relação com a leitura.

Veja bem, eu não estou criticando essas ações de jeito nenhum, não estou dizendo que é errado ninguém propor essas brincadeiras, estou apenas falando que comigo, isso começou a não ser mais tão legal. 

Porque eu sentia que não estava mais em relação com a leitura e sim com o tempo de leitura, de alguma forma, parecia mais importante saber se eu ia conseguir ler tantas páginas em certa quantidade de tempo do que o que o livro estava me falando.

Esse ano isso ficou mais forte, eu não tava conseguindo lembrar muito dos que livros que acabei de ler, e acho que também o tempo nas redes sociais deve influenciar com tanta informação. Mas eu também estava lendo um livro atrás do outro sem respiro como se tivesse uma competição na minha cabeça, a pilha na mesa me deixava ansiosa porque eu achava que tinha que acabar "logo".

E qual é o problema se eu passar o ano todo para ler esses livros? Sério, gente, qual seria o problema de passar meses lendo alguns livros, respirando esses livros?

Então resolvi terminar com calma os livros que estou lendo e parar, deixar a vontade de ler outro livro realmente surgir. Outro exercício é também escrever um pouco das minhas percepções de leituras, já fiz resenhas, mas acho que sentia vontade de conversar mais intimamente sem o formato "resenha".



18.5.21

Todos os meu humores - Dia Nobre



Em Todos os meus humores, Dia Nobre fez eu me reconectar com passagens internas em mim, a poesia se transforma no material utilizado por exploradores da alma. 

Ao lê-la, pecorri desertos, alpes, zonas abissais e florestas. Em cada paisagem, ou em cada um de seus humores, reconheci fragmentos meus e me senti abraçada, menos sozinha e mais viva. 

Às mulheres, os adjetivos desequilibrada, histérica, raivosa, frígida são constantes ao longo da História e da Literatura. E como historiadora, Dia Nobre conseguiu unir em sua poesia a memória de nossas antepessadas queimadas, julgadas, apedrejadas e levantar uma fogueira não para morrermos, mas para renascermos, com o fogo de nosso sexo. 

Em Todos os meus humores não escondemos nossas camadas, ossos, pele, aqui é tudo exposto, goste ou não. E quando Dia afirma que "é anônima", ela diz que é todas nós. 

Os poemas também falam muito sobre o amor, o amor a outras mulheres, envoltos em desejo e decepções com intensidade e leveza ao mesmo tempo. 

No livro, ela mistura poesia e prosa poética, alguns poemas são mais breves e outros mais longos. Há na maioria deles um tom bem cotidiano e íntimo que não nega a influência de Ana Cristina Cesar e eu amo! 

Ao terminar o livro senti que não escrevo, enlouqueço ou leio sozinha, porque "não me importam as pedras / as transcendo na ponta de minha caneta". 



11.5.21

A desistência é revelação





Tenho muita dificuldade de descansar, de "fazer nada", e de achar que eu sempre preciso fazer mais do que faço pra demonstrar meu valor.


Ai, minha filha,
haja terapia haha!

E o que tudo isso tem a ver com Hibisco Roxo

Que em Abril, no mesmo mês que eu começo a vender meu livro em formato físico, eu decido fazer uma leitura coletiva de Hibisco Roxo como se eu tivesse tempo! Sendo que eu já tenho o clube @leiturasliricas em andamento.

Esse texto é pra lembrar que temos limites físicos e mentais antes de querer realizar todos os projetos do mundo ao mesmo tempo.

Pra lembrar, que como Clarice diz "Desistir é o verdadeiro instante humano. A desistência é uma revelação."

Saber a hora de parar, respeitar meus limites é algo que quero aprender ainda mais nos próximos anos.

A gente vive num ritmo muito acelerado e de cobrança de produtividade em que antes de terminar um projeto já precisamos ter outro na manga, uma próxima novidade.

A gente não dá tempo pro nada acontecer também.

A ideia do projeto era tentar trazer gente nova pro meu Apoia.se, mas foi muito complicado buscar engajar as pessoas em dois projetos ao mesmo tempo.

Por isso, a leitura vai continuar, mas ao final do mês irei fazer uma live comentando o livro e não mais um encontro online.

A partir de agora também vou colocar o Leituras Líricas como sendo o foco do Apoia.se.

Quis colocar uma leitura coletiva de narrativas por tentar abarcar outros gostos, mas meu foco é a poesia, quem me acompanha aqui sabe. E é o diferencial do clube.

Espero que compreendam e que a gente possa continuar refletindo junto.

8.5.21

Marketing não tem sentido pra mim

 


quando... não abrange diversas realidades.


Todo profissional de marketing vai dar dicas de acordo com o que ele/ela acredita, sua personalidade e sua experiência, cabe a nós dicernir o que nos serve ou não.

Essa pessoa não tem a mesma mente que você, não viveu as mesmas coisas e não tem a mesma rotina que você.

Então quando eu vejo posts dizendo 'faça isso e você terá isso", ensinando que marketing é uma simples conta matemática: "poste 2 vezes ao dia, reels 5 vezes por semana, 20 stories por dia, enquete as 9h da manhã, faça live toda semana e CRESÇA rápido", pra mim, não tem sentido.

O que me interessa no marketing vê-lo como uma ferramente que me ajude a entender meus objetivos, construir a minha própria ideia de sucesso e agir de acordo com a minha realidade para alcançar o que quero.

Conhecer um pouquinho de marketing me ajudou a pensar em estratégias de acordo com um conceito de resultado particular e não generalista.

Algumas pessoas querem vender mais, outras querem ter seguidores muito rápido, outras querem ganhar 100 mil em 7 dias. Mas isso não precisa ser o meu objetivo.

"Ah, mas você tá dizendo que não quer ter dinheiro, vender livros e ter mais pessoas acompanhando seu trabalho?".

Quero, mas não a custo de perder sono,o prazer em criar e chegar a um burnout por conta disso.

E no meu caso, pra minha mente e minha realidade, o ritmo exigido pra alcançar essas métricas no tempo que a maioria das pessoas colocam, não funciona pra mim.

As vezes que fiquei muito obceda com números de vendas e seguidores foi quando eu tive meu pior despenho, porque bom desempenho pra mim, não se trata mais de números, mas de estar feliz produzindo conteúdo.

Essa semana todos os meus posts tiverem menos de 100 curtidas, mas eu tive pessoas interessadas no meu livro todos os dias. Mas eu estou tranquila e feliz sabendo que postei o que eu me sentia bem. No momento, isso pra mim é um bom resultado.

A mentalidade punitivista que está sendo divulgada em muitos perfis de marketing não me agrada: "você está errando nisso, então você vai ser punido pelo algoritmo".

Hoje eu encaro essas dicas de marketing como um tinder "passo ou me interesso". Se eu me interessar, eu vou lá marcar um encontro, conhecer melhor, vê se funciona mesmo e se não funcionar, adiós.

Foi entendendo que meus posts precisavam ter um objetivo que eu consegui me senti melhor criando na internet. Eu pude trabalhar a atencipação do meu livro, o recurso do storytelling pra contar minha história e envolver as pessoas.

Eu acredito no marketing que você pode estudar pra se entender e não pra se perder.

144 anos de Virginia Woolf

Há 144 anos nascia Adeline Virginia Stephen, depois conhecida simplesmente por Virginia Woolf (sobrenome de seu esposo Leonard Woolf) Durant...