31.8.15

My Funny Valentine

Me veja
essa sou eu aparecendo na sua porta as 3:45
minha camisola ensopada
criança de ouro em poças de lama
eu posso dançar na sua cabeça
eu posso pisar na sua cabeça
eu irei apenas me curvar para que você 
Me veja
essa sou eu na sua calçada as duas da tarde
oh minhas botas tão sujas
oh sua mente tão suja
eu posso dançar em pé em cima de você
eu posso caminhar minha língua por suas costas
ou eu irei apenas sair com você lambendo minhas pernas 
mas foi você que quis assim não foi você que quis assim foi você que quis
me mostrar seu quarto a meia noite
tudo fedia do resto de comida que te deixaram 
de um amor passado
de uma confusão mental estragada e os vermes se contorcem na ponta dos seus dedos


29.8.15

Filhos do Frio

Você não vai passar de (mais) um cara que nunca tomou conta de mim...

Você não foi o primeiro a me dizer exatamente o que você disse. Mas de algum modo acho que você conseguiu olhar um pouco dentro de mim. De algum modo você viu que eu estava indo meio fundo. Para os outros eu precisei gritar: ei, não tá vendo o que tá acontecendo aqui? Eu fiquei aliviada depois, quando cheguei em casa, depois que eu entendi... na verdade eu não entendi, não você e o que você disse, mas o que acontece comigo... ou com os outros que se aproximam de mim... Sim, eu e você temos uma ótima química. Sim, nossos corpos se entendem muito bem. Sim, é difícil largar meu corpo, é difícil parar de te beijar. É também tão fácil começar, tão fácil que "tua mão errante adentre atrás na frente em cima em baixo, entre"... adentrar...adentrar a carne, mas "o que é a carne sozinha?". E eu tenho pensado sobre intimidade e no que me basta e não me basta e no que eu quero e não quero. Você apareceu no meio desse redemoinho e eu misturei tudo e vi que não tem como saber de nada. Que intimidade a gente (de forma geral) procura? Sua boca, suas mãos passeiam por todo meu corpo nu... mas essa nudez perpassa a superfície? Essa intimidade atravessa? Porque eu tenho essa necessidade de me conectar de verdade com os seres humanos... essa necessidade de viver significadamente e não sei até que ponto tudo isso se une ou se distancia...


Eu também não sei o que pensar. Eu não sei porque eu sinto o que eu sinto por parecer ser tudo isso que bastava, só que não bastava. E você sabe disso, e foi muito bom você ter parado logo. As pessoas me dizem: aproveita o que der. Mas eu não quero só o que der. O que me deixa mal é que começo a pensar que o problema sou eu. Igual você me disse que sentiu um tempo, lembra? Eu posso pensar só que "ok, as pessoas não estão em boas fases, é só isso". Mas o que acontece? Sabe aquela letra do Cazuza, ele diz "saia dessa vida de migalhas, desses homens que te tratam como um vento que passou". Parece meio isso, sabe? Mas eu tento afastar esse pensamento porque também foi horrível pensar que parecia que você estava meio que com pena de mim. Na verdade as pessoas se vêem em geral como ventos que passam. E eu não quero mais isso. Eu quero ser uma brisa que fica. Eu quero ter uma brisa. Ou talvez um tornado, eu não me importo. Eu não me importo com terremotos, vulcões... Nunca fui de calmaria. O que acontece é que tenho me deparado com portas semi abertas, e ao dar o primeiro passo elas se fecham. Quando na verdade os donos das casas que bateram na minha janela... e eu pergunto, por quê? Talvez fosse melhor eu ter te avisado logo no primeiro dia: cuidado - alto risco de envolvimento da minha parte. E você provavelmente teria ido logo embora... (risos) mas pensando bem, teria sido uma pena pois não teríamos tido o que tivemos e que foi bom. Acho que agora me sinto um pouco melhor... falando. Eu sou a aquariana mais furada que existe. Porque eu me envolvo, ô inferno, eu realmente me envolvo. E você não tem nada a ver de verdade com nada disso, nada ver com todo esse monte de palavras loucas, e eu espero não parecer que estou jogando nada em cima de você, eu só queria falar, você deixa, né? 


"E que ao menos uma vez não seja tudo igual
Foram vozes demais, foram erros demais, foram beijos demais
Mas mesmo assim eu fico aqui, eu fico aqui, eu sou assim
Eu não fujo"



29.7.15

And love is not a victory march It's a cold and it's a broken hallelujah

Eu sei como vou morrer, eu sei que me suicidarei um dia. Mas por enquanto não é o momento. Por enquanto eu ainda vou tentando, por enquanto ainda flutuo nas ondas, vou tentando aproveitar o movimento delas, 
um dia tudo se tornará tão terrivelmente pesado que meu corpo vai docilmente afundar, sutilmente sugado pelo mar.
E sei que não terei mais amor ou paixão, esta é outra certeza absoluta. É tão fácil ter auto-piedade, se posicionar como vítima
desacreditar, afundar, eu sei que é. Mas também não me vejo mais acreditando na recompensa do fim da jornada
no dia em que tudo valerá a pena porque esse dia não chegará. Porque eu estou hoje assumindo que não importa o que ocorra
eu não consigo ser feliz. Existe gente de todo tipo no mundo e eu sei o quão incrível é ter por perto alguém que sempre está bem, que acredita, que tem luz e tudo mais.
Eu só quero ser aceita como aquela que não é assim, e não serei. Porque eu não vejo sentido na vida, porque eu nem sei se mesmo que um dia eu realize todos os meus sonhos eu vou conseguir preencher esses buracos que me formam
Outra confissão, eu sinto que só o amor poderia mesmo me salvar, então eu penso, eu tenho que dar amor pra ter amor. Mas a quem?
Eu sinto que se um dia eu acreditar no amor de novo tudo sera diferente. Mas eu tenho medo de falar isso e você ter pena. E ser como se eu estivesse a espera do princípe encantado. Ou como se eu não conseguisse sobreviver de amor próprio
E eu luto todo dia com isso. Mas agora estou me fechando e ao invés de procurar me bastar e ficar feliz e leve
Eu estou me escondendo dentro de um casco e rolando por ai, eu estou pesada.

E eu sei que tenho pouca gente que realmente se importe comigo, eu sei que me afastei de outros tantos
eu sei que não sou fácil, eu sei que quem me conhece mesmo acaba por me odiar em algum momento. 
Eu tenho minha mãe e eu tenho você, Deive, eu sei que nós somos as estrelinhas no céu uma da outra, aquelas que a gente pode olhar sempre que se sentir só sabendo que não importa onde estejamos agora, estaremos lá uma pra outra.

7.7.15

Dá pra ler e muito sem gastar nada. Tenho cadastro em três bibliotecas públicas, sem contar as das universidades e fico doida com o tanto de livro que quero ler de cada e vontade de pegar uns 50 logo. Não dá pra ficar ostentando uma biblioteca particular enorme, mas o que vai pra cabeça é o mesmo. Em breve vou visitar a biblioteca da estação

saudade da minha Liv que faleceu esse domingo
e me ajudava deixar as fotos mais fofas
Biblioteca do IFCE

Biblioteca do IFCE

Biblioteca do SESC

Biblioteca do SESC
(os que tem selo)

Biblioteca Dolor Barreira
Biblioteca da UECE




22.6.15

Sal Paradise Feelings

Estou com insônia. Fiz meditação hoje mas não adiantou de nada. Briguei com o Madi domingo. To com abuso da cara dele. Não me entendo com ninguém. Me sinto imcompreendida. Acho que ninguém me ama de verdade a não ser minha mãe. Não me acho necessária em nada que estou fazendo. Sei muito bem que não tenho função no mundo. Penso em várias pessoas o dia todo mas não sei quem pensa em mim. Não sei mais qual o gosto da paixão. Perdi o sabor do amor. Não quero dizer que é tpm mas acho que tem a ver. Me pergunto se minha vida toda será assim. Hoje um colega de sala me fez cafuné e eu percebi que sinto falta disso. Mas senti uma falta vazia. Tenho andado com muita vontade de cortar todas as minhas relações mas sei que é loucura. Preciso de paciência. Não sei como ser tranquila.  Na mediação eles falam de paz e harmonia mas eu sei que sou puro caos.

I was alone when I burned my home


144 anos de Virginia Woolf

Há 144 anos nascia Adeline Virginia Stephen, depois conhecida simplesmente por Virginia Woolf (sobrenome de seu esposo Leonard Woolf) Durant...