25.1.26

144 anos de Virginia Woolf

Há 144 anos nascia Adeline Virginia Stephen, depois conhecida simplesmente por Virginia Woolf (sobrenome de seu esposo Leonard Woolf)


Durante muito tempo considerei Mrs. Dalloway meu livro favorito, li aos 20 anos e nunca tinha lido até então algo tão diferente e genial, mas não fiz nenhuma releitura desde essa época, algo que quero fazer urgente!


Virginia é muito mais do que seus problemas psicológicos e a forma como morreu.

Foi uma das primeiras mulheres a escrever em fluxo de consciência e seu olhar aguçado para questões feministas ainda são extremamente atuais, mesmo com ressalvas importantes de serem pontuadas.


Vamos celebrar esse dia lendo Virginia?



2.3.24

Resenha: Seja homem (JJ Bola - Editora Dublinense)

Seja Homem é um livro que busca analisar a construção da masculinidade no patriarcado, discutindo como as práticas do que seria “ser um homem” são responsáveis principalmente pela violência de gênero.


O livro tem o intuito de conscientizar sobre a criação do mito do que é “ser um homem” passando por várias questões como: homofobia, violência sexual, feminicídio, a ideia de que homem não chora e não pode demonstrar sentimentos, etc.


Busca desmascarar essa masculinidade tóxica 

mostrando alternativas para pensarmos em outras masculinidades, incentivando homens a agirem diferente e recusarem esse papel do “macho”, propondo que homens se tornem aliados das mulheres na luta por uma sociedade mais justa, igualitária e não-violenta.


Com uma linguagem pessoal e direta, é interessante que JJ Bola como um homem negro traz para a discussão as questões raciais que vivenciou, mostrando que a masculinidade beneficia e prejudica homens brancos e negros de formas diferentes. 


E por fim, eu gosto da lucidez como o autor trata esse tema que é bem complexo e espinhoso, de forma muito didática. 


Ao final sugere inclusive 10 passos para começar a tirar essa máscara da masculinidade e me deixou até com um gostinho de esperança no final, de pensar que se mais homens lessem esse livro e QUISESSEM mesmo tirar essa pele de “homem” com todas as camadas grudadas na suas peles, o mundo poderia ser melhor para nós.



Voltando...

 Caramba, faz 4 anos que não escrevo nesse blog. E eu sempre falo dele quando digo como comecei a escrever na internet. 


Enfim, deu nostalgia, será que continuo?

29.6.22

O mais inesquecíveis começos de livros que já li

Sabe quando você decide começar uma nova leitura e se depara com aquele primeiro parágrafo que lhe fisga de imediato ou até mesmo somente a primeira frase, assim como os dez minutos iniciais de um filme que não deixam seus olhos saírem da tela ou as primeiras notas de uma canção que já aquecem seu peito ou te fazem mexer os pés no ritmo da batida? Parece então que o mundo se enche de vida e você tem um novo motivo pra viver: terminar, devorar, engolir aquele livro, música, filme. ok, eu sou um pouco romanticamente exagerada com relação ao meu contato com arte. Mas pra mim é bem isso. Então selecionei alguns começos que lembro terem me marcado.





“Mrs. Dalloway disse que ela própria ia comprar as flores. O serviço de Lucy estava já determinado. As portas seriam retiradas dos gonzos; o pessoal da Rumpelmayer vinha a caminho. E que manhã, pensou Clarissa Dalloway — tão fresca, como se feita para as crianças brincarem na praia”.
Mrs. Dalloway - Virginia Woolf


“Quando certa  manhã Gregor Samsa acordou de sonhos intran­quilos, em sua cama meta­morfo­seado num inseto monstruoso."


“Todas as famílias felizes se parecem, cada família infeliz é infeliz à sua maneira."


"Os olhos no teto, a nudez dentro do quarto; róseo, azul ou violáceo, o quarto é inviolável; o quarto é individual, é um mundo, quarto catedral, onde, nos intervalos da angústia, se colhe, de um áspero caule, na palma da mão, a rosa branca do desespero, pois entre os objetos que o quarto consagra estão primeiro os objetos do corpo; eu estava deitado no assoalho do meu quarto, numa velha pensão interiorana, quando meu irmão chegou para me levar de volta; minha mão, pouco antes dinâmica e em dura disciplina, percorria vagarosa a pele molhada do meu corpo."


Lavoura Arcaiaca (Raduan Nassar)


"Hoje, a mãe morreu. Ou talvez ontem, não sei bem. Re­cebi um tele­grama do asilo: 'Sua mãe fa­le­cida: En­terro amanhã. Sen­tidos pê­sames'. Isto não quer dizer nada. Talvez tenha sido ontem.
O Estrangeiro - Albert Camus



"Algum tempo hesitei se devia abrir estas memórias pelo princípio ou pelo fim, isto é, se poria em primeiro lugar o meu nascimento ou a minha morte. Suposto o uso vulgar seja começar pelo nascimento, duas considerações me levaram a adotar diferente método: a primeira é que eu não sou propriamente um autor defunto, mas um defunto autor"
Memórias Póstumas de Braz Cubas

2016

Eu estou com tanto medo de entrar no mar

mensagem-bomba

às vezes penso como queria de novo me sentir como na primeira noite em que dormir na sua casa... foi tudo tão... bonito

2016
Desde dezembro o correio nunca me fez tão feliz, recebi presente de amigo secreto, recebi livros de aniversários, recebi cartinha e desenhos, recebi um livro viajante e agora um livro autografado do Thiago Mattos <3

bresson

Qual é o gênero de Bresson? Ele não tem nenhum. Bresson é Bresson. Ele é, em si mesmo, um gênero. Anotnioni, Fellini, Bergman, Kurosawa, Dovjenko, Virgo, Mozoguchi, Buñuel - não são iguais senão a si próprios. O próprio conceito de gênero tem a frieza de um túmulo. Quanto a Chaplin - trata-se de comédia? Não: ele é Chaplin, pura simplesmente, um fenômeno único e irrepetível. [...] Sabemos que a coisa toda é inventada e exagerada, mas, no seu desempenho, a hipérbole torna-se profundamente natural e provável, e, portanto, convincente - além de engraçadíssima. Ele não representa. Ele vive situações idiotas, ele é parte orgânica delas.

Nada poderia ser mais nocivo que o nivelamento por baixo que caracteriza o cinema comercial ou as produções padronizadas da televisão: eles corrompem o público de forma imperdoável, negando-lhe a experiência verdadeira da arte

O artista não pode expressar o ideal ético de seu tempo, a menos que toque todas as suas feridas abertas, a menos que sofra e viva essas feridas na própria carne. [...] Afinal, quase se poderia dizer que a arte é religiosa, no sentido de ser inspirada pelo compromisso com um objetivo mais elevado.


Sobre Fotografia - Susan Sontag [Trechos] [leitura 37]

Na Caverna de Platão

[...] quanto mais eu pensava sobre o que são as fotos, mais complexas e sugestivas elas se tornavam.


Em primeiro lugar, existem à nossa volta muito mais imagens que solicitam nossa atenção. O inventário teve início em 1839, e, desde então, praticamente tudo foi fotografado, ou pelo menos assim parece. Essa insaciabilidade do olho que fotografa altera as condições do confinamento na caverna: o nosso mundo. Ao nos ensinar um novo código visual, as fotos modificam e ampliam nossas ideias sobre o que vale a pena olhar e sobre o que temos o direito de observar. Constituem uma gramática e, mais importante ainda, uma ética do ver. Por fim, o resultado mais extraordinário da atividade fotográfica é nos dar a sensação de que podemos reter o mundo inteiro em nossa cabeça — como uma antologia de imagens.
Fotografar é apropriar-se da coisa fotografada. Significa pôr a si mesmo em determinada relação com o mundo, semelhante ao conhecimento — e, portanto, ao poder
Fotos fornecem um testemunho. Algo de que ouvimos falar mas de que duvidamos parece comprovado quando nos mostram uma foto. Numa das versões da sua utilidade, o registro da câmera incrimina.

Plágio, originalidade, e autenticidade

Você não é original ;)


livro: Grande Magia (Elizabeth Gilbert)


De 2020 pra cá tenho buscado livros sobre criatividade. 

Um foi "Roube como um artista" e esse agora Grande Magia. 

Ambos falam sobre o assunto de plágio e originalidade desmistificando a arrogância/medo de achar que você só vai poder criar algo se for "original" e até mesmo a ideia que se tem de originalidade. 

Já fiquei travada várias vezes em jogar alguma ideia e vir alguém aleatório me acusar de plágio. Mas cada vez tenho percebido a bobagem disso. 

Então, não tenha medo de lançar suas ideias nem achando que vai ser parecida com alguém PORQUE VAI SIM. E nem com a arrogância de achar que vai ser a única Coca-Cola do deserto :)

Eu estou lendo errado e provavelmente você também

Esse título super chamativo não quer dizer isso de verdade, é só porque sempre quis fazer uma manchete dessas haha

Mas mesmo assim, eu sinto que estou numa relação estranha com a leitura.

Desde que comecei a postar com mais frequência no Instagram e seguir tendências de perfis literários como: desafio de 12 livros para ler no ao, contar os lidos do ano, contar os lidos do mês, participar de maratonas literárias ou desafios. Coisas que são legais, aproximam os leitores na internet, mas começaram a engessar minha relação com a leitura.

Veja bem, eu não estou criticando essas ações de jeito nenhum, não estou dizendo que é errado ninguém propor essas brincadeiras, estou apenas falando que comigo, isso começou a não ser mais tão legal. 

Porque eu sentia que não estava mais em relação com a leitura e sim com o tempo de leitura, de alguma forma, parecia mais importante saber se eu ia conseguir ler tantas páginas em certa quantidade de tempo do que o que o livro estava me falando.

Esse ano isso ficou mais forte, eu não tava conseguindo lembrar muito dos que livros que acabei de ler, e acho que também o tempo nas redes sociais deve influenciar com tanta informação. Mas eu também estava lendo um livro atrás do outro sem respiro como se tivesse uma competição na minha cabeça, a pilha na mesa me deixava ansiosa porque eu achava que tinha que acabar "logo".

E qual é o problema se eu passar o ano todo para ler esses livros? Sério, gente, qual seria o problema de passar meses lendo alguns livros, respirando esses livros?

Então resolvi terminar com calma os livros que estou lendo e parar, deixar a vontade de ler outro livro realmente surgir. Outro exercício é também escrever um pouco das minhas percepções de leituras, já fiz resenhas, mas acho que sentia vontade de conversar mais intimamente sem o formato "resenha".



18.5.21

Todos os meu humores - Dia Nobre



Em Todos os meus humores, Dia Nobre fez eu me reconectar com passagens internas em mim, a poesia se transforma no material utilizado por exploradores da alma. 

Ao lê-la, pecorri desertos, alpes, zonas abissais e florestas. Em cada paisagem, ou em cada um de seus humores, reconheci fragmentos meus e me senti abraçada, menos sozinha e mais viva. 

Às mulheres, os adjetivos desequilibrada, histérica, raivosa, frígida são constantes ao longo da História e da Literatura. E como historiadora, Dia Nobre conseguiu unir em sua poesia a memória de nossas antepessadas queimadas, julgadas, apedrejadas e levantar uma fogueira não para morrermos, mas para renascermos, com o fogo de nosso sexo. 

Em Todos os meus humores não escondemos nossas camadas, ossos, pele, aqui é tudo exposto, goste ou não. E quando Dia afirma que "é anônima", ela diz que é todas nós. 

Os poemas também falam muito sobre o amor, o amor a outras mulheres, envoltos em desejo e decepções com intensidade e leveza ao mesmo tempo. 

No livro, ela mistura poesia e prosa poética, alguns poemas são mais breves e outros mais longos. Há na maioria deles um tom bem cotidiano e íntimo que não nega a influência de Ana Cristina Cesar e eu amo! 

Ao terminar o livro senti que não escrevo, enlouqueço ou leio sozinha, porque "não me importam as pedras / as transcendo na ponta de minha caneta". 



11.5.21

A desistência é revelação





Tenho muita dificuldade de descansar, de "fazer nada", e de achar que eu sempre preciso fazer mais do que faço pra demonstrar meu valor.


Ai, minha filha,
haja terapia haha!

E o que tudo isso tem a ver com Hibisco Roxo

Que em Abril, no mesmo mês que eu começo a vender meu livro em formato físico, eu decido fazer uma leitura coletiva de Hibisco Roxo como se eu tivesse tempo! Sendo que eu já tenho o clube @leiturasliricas em andamento.

Esse texto é pra lembrar que temos limites físicos e mentais antes de querer realizar todos os projetos do mundo ao mesmo tempo.

Pra lembrar, que como Clarice diz "Desistir é o verdadeiro instante humano. A desistência é uma revelação."

Saber a hora de parar, respeitar meus limites é algo que quero aprender ainda mais nos próximos anos.

A gente vive num ritmo muito acelerado e de cobrança de produtividade em que antes de terminar um projeto já precisamos ter outro na manga, uma próxima novidade.

A gente não dá tempo pro nada acontecer também.

A ideia do projeto era tentar trazer gente nova pro meu Apoia.se, mas foi muito complicado buscar engajar as pessoas em dois projetos ao mesmo tempo.

Por isso, a leitura vai continuar, mas ao final do mês irei fazer uma live comentando o livro e não mais um encontro online.

A partir de agora também vou colocar o Leituras Líricas como sendo o foco do Apoia.se.

Quis colocar uma leitura coletiva de narrativas por tentar abarcar outros gostos, mas meu foco é a poesia, quem me acompanha aqui sabe. E é o diferencial do clube.

Espero que compreendam e que a gente possa continuar refletindo junto.

8.5.21

Marketing não tem sentido pra mim

 


quando... não abrange diversas realidades.


Todo profissional de marketing vai dar dicas de acordo com o que ele/ela acredita, sua personalidade e sua experiência, cabe a nós dicernir o que nos serve ou não.

Essa pessoa não tem a mesma mente que você, não viveu as mesmas coisas e não tem a mesma rotina que você.

Então quando eu vejo posts dizendo 'faça isso e você terá isso", ensinando que marketing é uma simples conta matemática: "poste 2 vezes ao dia, reels 5 vezes por semana, 20 stories por dia, enquete as 9h da manhã, faça live toda semana e CRESÇA rápido", pra mim, não tem sentido.

O que me interessa no marketing vê-lo como uma ferramente que me ajude a entender meus objetivos, construir a minha própria ideia de sucesso e agir de acordo com a minha realidade para alcançar o que quero.

Conhecer um pouquinho de marketing me ajudou a pensar em estratégias de acordo com um conceito de resultado particular e não generalista.

Algumas pessoas querem vender mais, outras querem ter seguidores muito rápido, outras querem ganhar 100 mil em 7 dias. Mas isso não precisa ser o meu objetivo.

"Ah, mas você tá dizendo que não quer ter dinheiro, vender livros e ter mais pessoas acompanhando seu trabalho?".

Quero, mas não a custo de perder sono,o prazer em criar e chegar a um burnout por conta disso.

E no meu caso, pra minha mente e minha realidade, o ritmo exigido pra alcançar essas métricas no tempo que a maioria das pessoas colocam, não funciona pra mim.

As vezes que fiquei muito obceda com números de vendas e seguidores foi quando eu tive meu pior despenho, porque bom desempenho pra mim, não se trata mais de números, mas de estar feliz produzindo conteúdo.

Essa semana todos os meus posts tiverem menos de 100 curtidas, mas eu tive pessoas interessadas no meu livro todos os dias. Mas eu estou tranquila e feliz sabendo que postei o que eu me sentia bem. No momento, isso pra mim é um bom resultado.

A mentalidade punitivista que está sendo divulgada em muitos perfis de marketing não me agrada: "você está errando nisso, então você vai ser punido pelo algoritmo".

Hoje eu encaro essas dicas de marketing como um tinder "passo ou me interesso". Se eu me interessar, eu vou lá marcar um encontro, conhecer melhor, vê se funciona mesmo e se não funcionar, adiós.

Foi entendendo que meus posts precisavam ter um objetivo que eu consegui me senti melhor criando na internet. Eu pude trabalhar a atencipação do meu livro, o recurso do storytelling pra contar minha história e envolver as pessoas.

Eu acredito no marketing que você pode estudar pra se entender e não pra se perder.

21.4.21

Inspiração é diferente de comparação!


Esse é o cantinho da casa onde eu geralmente faço yoga. Coloco o celular na estante e vou acompanhando no canal da Pri Leite.


No início do ano tentei fazer o desafio 21 dias de yoga, mas no dia 3 já não acompanhei e só hoje eu terminei a sequência dos 21 dias.

De início eu fiquei frustrada por não conseguir fazer todo dia, parecia que não tinha sentido continuar nos outros por ter furado um.

Uma conversa com a @habitosquemudam me fez perceber que eu não preciso fazer tudo todo dia no mesmo horário para considerar que aquilo é um hábito.

Sei que certa frequência e disciplina para incluir um hábito novo ou para algumas coisas da vida faz bem.

Mas, para mim e meu corpo, a ideia de um horário fixo para tudo por toda eternidade ignora a organicidade da vida.

Ontem acordei 8h, hoje 6h.

Ontem fiz exercícios, hoje precisei lavar a louça e trabalhar cedo porque tem muita coisa, e assim vai.

Eu acho que já me faço muito bem com os dias que consigo fazer yoga, ou acordar mais cedo, mas sinto que se pressionar a fazer isso todo dia no mesmo horário tá mais ligado a mostrar que é disciplinado e que tem bons hábitos do que realmente uma necessidade, pelo menos comigo tava sendo assim.

Eu vi que era uma pressão externa fazer as coisas de “um jeito” mais de acordo com modelo que eu via na internet do que algo que funcionava pra mim.

E digo o mesmo pra leitura e escrita. Faz alguns dias que não leio nem escrevo. O projeto de iniciar um livro de contos também está devagar, mas vi que esse é meu tempo!

Tem gente que lança um projeto depois do outro, um livro depois do outro e mil coisas ao mesmo tempo e tem a rotina super regrada, mas com certeza ninguém precisa fazer nada igual a ninguém.

E na atmosfera já tensa que estamos, não precisamos colocar pressão no local que é para nos trazer bem estar.

Você se identifica com isso?

15.4.21

A leitura é parte do treino da escrita




"O ESCRITOR É, ANTES DE TUDO, UM LEITOR" 

Verdade ou mentira?

Verdade, mas a questão é que tipo de leitor? Ou, como ler como um escritor? 

Não é uma regra que o desejo de escrever nasce necessariamente da leitura, e nem que todo leitor vai se tornar escritor. 

Mas é certo dizer que juntando a fome com a vontade, o hábito da leitura faz parte do treino da escrita. E vou dizer algumas vantagens de aliar leitura e escrita:

1) Desmistificar a ideia que escrever é um dom:

Clarice Lispector dizia que a frase vinha pronta. Mas porque ela é uma bruxona né, gente, e até as bruxas precisam testar, experimentar para chegar na magia.

Escrever é treino. Eu escrevo desde os 14, e mesmo sem a consciência de que estava treinando - porque pra mim eu só escrrevia por escrever - com certeza o que escrevo hoje é resultado desses anos. 

Quando entendemos isso, podemos colocar a leitura como parte desse treino num O escritor que lê, vai encarar a leitura com uma inspeção para a construção dos seus próprios textos.

2) Da leitura brotam outras ideias:

MUITOS livros e textos nasceram a partir do encontro do escritor com outros os livros. Coloque a leitura no seu cotidiano e deixe fluir o que chega em ti a partir disso. Está sem ideias? Comece o dia lendo um livro e se deixe levar pelas palavras de outros autores até encontrar as suas.

3) Conexão com outros autores

Leia biografias, conheça a vida de outros autores, veja entrevistas. Se conect nas redes sociais com autores contemporâneos. Nada melhor do que ouvir e ler alguém que passa pelas mesmas crises e desafios que você, e acredite, passamos.

As ideias desse texto vieram a partir do livro Criação Literária - da ideia ao texto, de José Carlos Laitano, em que o autor cita 21 indicações do escritor Moacyr Scliar e uma delas é:

"Aprendi que o ator de escrever é sequela do ato de ler".

Mas vale também uma ressalva, isso não significa ter pressa em ler ou uma obrigação em ler 15 livros em um mês para ser um bom escritor. A leitura como parte do treino inclusive exige paciência, repetição. Voltei a livros como Ariel e Poética de Ana Cristina César diversas vezes ao longo da vida. Assim como cada escrita tem um ritmo, a leitura também vai dançar de acordo com seu tempo e suas necessidades.


31.3.21

[Resenha] Ninguém vai lembrar de mim - Gabriela Soutello

É um livro difícil de pegar nos braços, são tantos sentimentos, imagens e sensações que me perfuram que gostaria de conseguir reter todas as palavras aqui na retina, para nunca esquecer.


Mas sei que esquecerei, essa é a tristeza da leitura. Esquecemos algum dia todas as frases que tanto nos maravilharam.

Ficamos apenas com o que cola no corpo. Por isso ler, não é algo só intelectual, é sensorial. E o livro de Gabriela Soutello mexe mesmo com nossos sentidos.

O livro é composto por prosas poéticas. Não existe uma narrativa linear, também não são contos da maneira convencional que entendemos o que é um conto.

Aqui temos fragmentos do percurso investigativo de uma mulher com sua solidão, amores, sexualidade, divagações sobre o futuro e memórias. Não em busca de nada específico, apenas deixando-se escorrer em vermelho.

Cada texto, mesmo que não totalmente compreensível em uma primeira lida, parecia narrar uma parte minha. Isso porque Gabriela consegue revirar por dentro detalhes íntimos das relações humanas.

Não conheço Gabriela, não sei quem ela é, o que é verdade ou não e não importa. O que temos é um material de entrega que nos pede mutuamente permissão para desbravarmos-nos.

Processo Criativo

 Falar de Processo criativo é algo que faz meus olhos brilharem! Tanto que meu TCC foi sobre isso e provavelmente meu mestrado também será.


Amo pensar sobre como uma ideia surge, quais os percalços e percursos um artista passa no caminho que é cheio de curvas e texturas diferentes.

Apesar disso, pouco li sobre o assunto em se tratando de livros mais conhecidos, tudo que sei foi realizando.

Com o processo criativo do meu livro aprendi algumas lições que compartilhei no último vídeo lançado no canal.

Converso sobre metas, companhia, desafios e alegrias que envolvem essa loucura de lançar uma obra no mundo.

Vai lá assistir e conversar comigo!

Gosta do assunto? Qual sua maior dificuldade em relaçãozona criação? Pode ser em arte ou qualquer coisa! Vamos papear 💕



144 anos de Virginia Woolf

Há 144 anos nascia Adeline Virginia Stephen, depois conhecida simplesmente por Virginia Woolf (sobrenome de seu esposo Leonard Woolf) Durant...